quinta-feira, 15 de outubro de 2009

MINE TEXTO PARA TEATRO



MINE TEXTO PARA TEATRO

“PRA QUE VOTAR MEU BEM?”



PERSONAGENS:


ATOR 1

ATOR 2

ZAZÁ

TICA

                                                             VIRGULINA





ATOR 1: E assim se registrou a criação da humanidade. Entre dilemas, macacos, Eva e Adão, ciência e religião, o ser humano cresce na pergunta, em uma eterna interrogação. Questionar é buscar conhecimento e respondê-los é limitar, pontuar. E novos porquês irão nascer a cada dia, depois de cada ponto que vier a acontecer.

ATOR 2: Quem morrerá primeiro? Qual será o último ser vivo na terra? Qual o lado que assistirá o outro a vencer? Qual são os números da próxima mega sena? Quem essa corrida vencerá?

ATOR 2: E a lua, o ônibus espacial e os ETs?

ATOR 1: Onde estará você com as suas neuras e anseios, desejos e sonhos? Onde estarás?

ATOR 2: O futuro a Deus pertence, assim diz os religiosos, e aos políticos de bom e mal caráter!

ATOR 1: Deus? Políticos? Onde você está querendo chegar?

ATOR 2: essa introdução é para apresentar a hilariante historia de uma figura importantíssima no processo evolutivo humano que é o eleitor!

ATOR 1: O eleitor? Pensei que eram os políticos; como o presidente, senadores, deputados, vereadores e prefeitos. Que valia tem o eleitor?

ATOR 2: É com esse questionamento que iremos apresentar a historia de uma eleitora e cabo eleitoral que a sua vida viu se transformar com essa historia de política que ela nunca quis saber, pois só ia lá votar.

ATOR 1: A historia da confusa, mas gostosa dama da noite; Madame Zazá!

ZAZÁ: Sou eu! Mas antes que vocês dois continuem a contar minha historia, eu gostaria de lembrá-los do que falei em relação ao meu nome.

ATOR 2: Nome?

ATOR 1: Que nome?

ZAZÁ: Os bichinhos! As cacholinhas do juízo tão cheia de coisas importantes e não dão realmente pra lembrar-se de uma coisa tão sem importância como essa, num é meus bichinhos? Pois prestem atenção que eu vou relembrar: Como eu já disse há vocês uns dias atrás que eu era casada, mas muito infeliz, o meu marido não me completava e eu ficava traído ele em pensamento, desejava até o meu sogro. Foi aí que resolvi deixar a casa e ir morar no gango. Sempre usei o nome de batismo, depois o de casada, mas no gango me apelidaram por Zazá e por Zazá ficou. Agora, vocês sabem que num vivo mais nessa vida de frega. Vamos dizer que me aposentei e quero dar um chega pra lá no passado e viver a minha velhice em paz. Num nego a ninguém o meu passado, pois até então eu era muito boa no mexido, mas prefiro deixar no passado e por isso quero que vocês me chamem pelo meu nome de batismo que é Raimunda Tertuliana dos Badalos. Raimunda era o nome de minha avó, Tertuliana foi herança de mãe e os Badalos de pai. Prestaram bem atenção? Então vocês podem continuar!

ATOR 2: Nos desculpe pelo esquecimento e obrigado pela lembrança.

ATOR 1: E o espetáculo não pode parar!

ATOR 2: E nós artistas de teatro temos o orgulho de apresentar!

ATOR 1: E 2: Pra que votar meu bem!

ZAZÁ: E pra que votar, hein?

ATOR 1: O voto decide a historia humana, diz o que é bom ou ruim e tem o poder de revelar nas pessoas o bom de ser assim:

ATOR 2: Bons e ruins!

ZAZÁ: Eles pensam que dessa vez me enganam? Que vão me iludir com promessas e uns carocinhos de feijão? Dessa vez a bestinha aqui está é muito da acordada. Pode vim bater na minha porta! Recebo tudinho e deixe depois que euzinha sei coar o chá deles bem direitinho. Deixe!

ATOR 1: Todo e qualquer cidadão precisam estarem bem conscientes em quem estão votando.

ZAZÁ: não entendi seu moço.

ATOR 2: A senhora precisa está ciente em quem se deve votar.

ZAZÁ: Cuma?

ATOR 1: Preste atenção, faça ligação e comparação, analise a proposta que estão lhe apresentando e quem realmente essa pessoa é, o seu caráter e o grau de honestidade daquele que está lhe pedindo atenção. O seu voto é capaz de transformar o destino de uma nação.

ATOR 2: Vote em quem der mais!

ZAZÁ: não! Isso nunca mais!

ATOR 1: Aquele puxadinho, o enterro do vovô, uma dentadura nova, um emprego pra o seu amor ou aquele favorzão que nem ralada você tem condições de pagar!

ZAZÁ: Vai, pára! Não me deixa confusa! Eu não quero nessas coisas pensar!

ATOR 2: E as telhas para o seu barraco terminar, vai comprar ou o político vai lhe dar?

ZAZÁ: Não! Isso nunca mais! Passei a vida inteira fazendo isso, eu e os meus, e quando esses felas da mãe ganhavam, davam banana pra todos nós, só usavam a gente. Sou meretriz, sim senhor, sempre vivi mendigando nesse bordel de terceira, migalhas de homens sujos, fedorentos, bêbados, a maioria sem querer usar preservativo e o pior; a descriminação que nos colocava cada vez mais pra baixo. Cuspiam no prato em que comiam. Mas quando chegam ao ano de eleição, próximo ao mês da votação, aparece gente de tudo o que é canto pra o meu voto conquistar e me beijam, me abraçam, me baba toda e me chamam de linda. Só faltam na minha tapera mijar pra demarcar o canto e nenhum outro ali encostar, prometendo tudo o que é bom, de até a minha tapera mobiliar; Mas depois que passa a eleição, ninguém conhece mais ninguém e começam de calçada mudar e tem muitos que na rua deixam de passar, pra falar com os eleitos precisa um batalhão enfrentar. Pra mim chega de ser burra e deixar de ser enganada.

ATOR 1: Receba o que lhe derem , engane a todos dizendo que vai votar!



ATOR 2: E se aparecerem dois candidatos de uma só vez em sua porta a bater?

ATOR 1: Diga que os votos são divididos. Que todos votam em quem você mandar!

ATOR 2: use as armas deles e também comece a enganar!

ATOR 1: Ladrão que rouba ladrão...

ZAZÁ: É mesmo né. Boa idéia! É isso que eu vou fazer e... Ladrão que rouba ladrão... É só ele aqui aparecer batendo palmas, todos faceiros, e pergunto quando eleitos forem o que é que por mim poderão fazer?

ATOR 2: As doações!

ZAZÁ: Eu quero, me dá, é meu passa pra cá!

TICA: Zazá! O que é isso?To passada. Se meus olhos não presenciassem, se me contassem eu não ia acreditar.

ATOR 1: As vizinhas, a senhora, não poderá enganar!

ZAZÁ: É, né, a carne é fraca e estamos passando tanta precisão.

TICA: Mas era a senhora que batia nos peitos e gritava para toda a rua escutar que fela da puta nenhum iria te enganar mais e que quando chegassem na sua porta com o sorriso de quenga ruim a senhora botava os cachorros em cima pra todos saírem correndo, não dizia?

ZAZÁ: Mulherzinha, fale baixo e vamos lá dentro conversar.

TICA: Nunca! Nem que eu tenha que esmolambar, mas não me venderei nunca mais.

ZAZÁ: Tica mulherzinha, nunca diga não, não abra a boca pra dizer dessa água nunca beberei.

TICA: Zazá acorda mulher! Aquela cesta básica que tu ganhaste na eleição passada se acabou em menos de uma semana e você durante esses quatro anos teve que ralar muito se não morreria de fome e só quem enricou foram eles e nós nada! Você sempre se ilude que também terá quatro anos para engordar.

ZAZÁ: Eu sou aposentada, mulherzinha. E você pode me dar o que eles me deram pra votar neles.

TICA: Zazá, você mesma disse que eu fosse as ruas, na escola onde trabalho, por onde passar, que não votem nesses ladrões; você foi a primeira a protestar e agora, por uma miséria está a se sujar.



ZAZÁ: Mas, mulherzinha, a eles eu também vou enganar.

TICA: Zazá! E a sua honra, e a sua moral onde é que vão ficar!

ATOR 2: Aqui, acolá, em todo o lugar!

ZAZÁ: Pia mulherzinha que belezura! É o povo do encarnado.

ATOR 1: É só espirrar que encontra ladrão político e depois que se elege se transforma em políticos ladrões.

ATOR 2: Mas os muros negros da ignorância começam a cair!

ATOR 1: O tempo do troca troca, voto vezes favor já não se reina mais.

ATOR 2: O que vale é o histórico desse político; o que ele já fez, a proposta dele, o que fará em prol do seu povo antes e durante a sua gestão.

ATOR 1: Nada de politicagem, nada de políticos ladrões, nada de falcatruas!

ATOR 2: O povo se conscientiza, se cala, mas pensa, analisa e responde no momento exato.

ATOR 1: No silencioso momento do principal gesto cívico!

ATOR 1 e 2: A hora de votar!

ZAZÁ: Muito bem! Já ganhou!

TICA: Que arrumação é essa?

ZAZÁ: vala-me Deus! Agora é o povo do azul!

ATOR 2: Povo unido jamais será vencido! Esse é um país que vai pra frente! Decola, Brasil! Diretas já! País democrático! Não me deixe só! Que Deus nos proteja e bla, blá blá.

ATOR 1: Mais projetos de assistência social, remédios, escolas, frentes de trabalho, baratear o sacolão! Tudo para que o pobre, o mais humilde tenha comida todos os dias em sua mesa!

ATOR 2: Não falo pra mim e nesse momento não estou pensando em mim, mas vivo exclusivamente pensando no melhor para vocês!

ATOR 1: E que Nossa Senhora dos Desesperados, a associação dos santos protetores, o santo Papa, o inigualável Lutero, o mentor Alan Kardec, e toda a irmandade dos ritos afros estejam abençoando todos vocês que são as coisas mais importantes da minha vida! E vocês juntos a mim oraremos a mais forte de todas as rezas em prol da nossa vitoria!

ATOR 1 e 2: Eu amo vocês!

ZAZÁ: Viva! Já ganhou!

TICA: Acorda Zazá!

ZAZÁ: hein?

VIRGÔ: oi, gente boa e plugadinha! Eu, Virgulina Bocavite, diretamente deste lugar irradiando o maior axé pra todos que estão nos vendo ou só escutando, através do meu beijinho, muito axé! Nesse momento vamos entrevistar um símbolo vivo da historia da política nacional, aquela que ainda conserva as tradições, e já está sendo considerada por alguns estudiosos renomados, o mito da política folclórica nacional; Dona Zazá!

ZAZÁ: Raimunda! R-a, Ra, i-mum, mum, zurugundum, bum, d-a, da! Raimunda!

VIRGÔ: Tudo bem, minha flor. Axé pra você e pra euzinha! Virgulina Bocavite está aqui, diretamente da residência de dona Raimunda, a fina nata dos cabos eleitorais desse país, aquela que já foi tema de monografia e estudo para mestrado uspiano, para saber realmente em quem a senhora vai votar.

TICA: Espia o que tu vai dizer criatura de Deus!

VIRGÔ: Concentração! Muito axé floral para a senhora. Mantras iluminados para melhor visualização da resposta.

ZAZÁ: Não preciso dessas baboseiras pra dizer em quem eu vou votar dona Vick.

MARGÔ: Virgulina Bocavite, dona Zazá! Gostou?

ZAZÁ: Desaforada e vingativa!

VIRGÔ: Mas tudo é axé no programa iluminado da Virgô! E então dona Raimunda, em quem a senhora irá votar nas próximas eleições?

TICA: Vigie o que vai dizer!

ZAZÁ: Em quem der mais!

TICA: Acorda Zazá!

VIRGÔ: Dormindo ou acordada, na manhã, na tarde ou na madrugada, euzinha que estou sempre cheia de axé para emanar registrei nesse poderosíssimo meio de comunicação só para vocês a resposta de dona Raimunda! Falou, Virgulina Bocavite registrou!

TICA: E nossa luta, Zazá?

VIRGÔ: No padeiro do encarnado ela garante o pão de cada dia e com o médico do azul ela tem de graça consulta e remédio. Ficou uma dúvida! Só não ficou bem claro se a senhora vai votar no padeiro ou no doutor?

ZAZÁ: Sostô, a senhora, letrada nas comunicações não entender a minha resposta!

TICA: E imagine eu que estou na missa querendo ver o padre.

VIRGÔ: Responda queridinha que o tempo não pode parar!

TICA: Acorda Zazá!

ZAZÁ: Que acorda, Tica mulherzinha! Será que tu não ta vendo que essa zinha quer aparecer mais do que eu? E ainda ta tendo a liberdade de me chamar de Zazá? Pra ela o meu nome é Raimunda Tertuliana dos Badalos! Tertuliana da minha mãe e os Badalos do meu pai! E dou-lhe mais um aviso; Não tente mudar o rumo dessa historia!

TICA: Zazá...

ZAZÁ: Raimunda! E cale essa boca, Tica!

VIRGÔ: Muito bem pra quem pensa bem e tem o juizinho no lugar! E euzinha, a repórter mais axé desse país cheio de encantos mil estou me despedindo e deixando os eleitores com a cabecinha com as duvidas a fervilhar; Em quem votar!

ATOR 2: Ela cansou da vida eleitoral e decidiu não mais votar.

ZAZÁ: Isso mesmo.

TICA: Mas nós precisamos votar!

ZAZÁ: Não voto e pronto.

TICA: É o nosso voto que decide o destino desse país!

ZAZÁ: Podem morre de me bajular que eu continuo dizendo que não voto e ainda tenho a caca de pau de mandar todos tomar naquele canto.

ATOR 1: Foi aí que apareceu a fervilhar em sua mente todos os questionamentos feitos por Virgulina Bocavite e Zazá começou a pensar.

TICA: Graças a Deus!

ZAZÁ: Bexiga taboca, o meu nome é Raimunda! Parem de me chamar pelo apelido, me façam sentir gente! Meu tempo de gango já passou e agora estou tentando me reintegrar na sociedade e quero começar pelo meu nome.

ATOR: Ta certo, dona Raimunda, nos desculpem, mas agora comece a pensar.

ZAZÁ: Voto ou não voto, o que farei e quem irá me ajudar?

TODOS: Chapolim!

ZAZÁ: Quem?

VIRGÔ: Euzinha!

TICA: De novo?

VIRGÔ: Virgulina Bocavite, diretamente desse exato local para todo o Brasil, emanando muito axé através dos meus beijinhos! Vamos agora entrevistar uma pessoa patrimônio da humanidade, um monstro sagrado da política nacional, aquela que detém a historia em seus próprios pés...

TICA: Chega!

VIRGÔ: Ai!!!

ZAZÁ: Valeu, Tica! Chega de lengação dona Virgulina e vamos logo para os finalmentes. Diga logo o que quer saber e tome o seu rumo.

VIRGÔ: Tudo bem dona Zazá.

ZAZÁ: Raimunda! Raimunda Tertuliana dos Badalos! Tertuliana da minha mãe e...

TODOS: E os Badalos do seu pai!

ZAZÁ: Gente, e todos vocês já viram os badalos do meu pai?!

VIRGÔ: Tudo axé, dona Raimunda! Estou aqui para questionar o direito de votar!

TICA: Muito bem dona Virguliana!

VIRGÔ: É Virgulina, meu amor!

ZAZÁ: Questionar pra quê?

TICA: Calma, Zazá.

ZAZÁ: Não entendo você Tica? Mulherzinha se decida. Uma hora você quer que eu acorde e agora quer que eu me acalme.

VIRGÔ: A sociedade dos cabos eleitorais quer saber se a senhora, a rainha de todos eles; vota ou não vota?

ZAZÁ: Eu hoje tenho personalidade, menina. Sou pobre, mas sou limpinha. Não pense porque eu vivia abrindo as pernas para ganhar dinheiro não era porque eu era idiota. Era a minha profissão e dela eu sobrevivo até hoje. Pra ta aqui dizendo isso, eu já apanhei muito nessa carinha que mamãe beijou defendendo nome de político “a” ou “b”. Já levei muita carreira em comício, me vestia de azul ou encarnado, já briguei com visinho de ficar intrigada de fogo-a-sangue; já fui aos bofetes e me esborrachei muito pulando por essa cidade a fora gritando o nome desses safados. Você não sabe o que é isso menina!

VIRGÔ: Ta gravando tudo?

ZAZÁ: Você não sabe o que é passar duas ou três noites em cima de caminhão, idolatrando quem não presta rouca, esgoelada de tanto gritar o nome desses come voto e caga ouro.

TICA: Bonito, Zazá. To emocionada.

ZAZÁ: Você, mulherzinha, ta verde demais. Você é da safra dos caras pintadas, pra cima e avante, e eu sou do tempo dos ignorantes, do voto de cabresto e isso tudo graças a Deus ficou pra trás. Estou aqui, nesse momento consciente, livre, sem medo de nada, sem rabo preso, pronta pra o que der e vier, porque eu sou brasileira!

TICA: Viva Zazá!

ZAZÁ: menos Tica.

VIRGÔ: Tudo bem e a maquiagem eu estou a retocar e no axé se muita luz de dona Raimunda eu vou perguntar! A senhora vota ou não vota?

TICA: Claro que ela vota sua tapada!

ZAZÁ: será que você não entendeu o que acabou de ouvir?

TICA: O problema dela é votar!

ZAZÁ: Aí é que tora a urna no meio.

TICA: deixar de votar não resolve nada!

VIRGÔ: Vocês estão me deixando confusa! Para! Não brinquem com o meu axé!

TICA: É melhor tu ficar calada, mulherzinha.

VIRGÔ: Ficar calada não senhora! Uma repórter com duvidas é o público com duvidas também. No inicio dona Raimunda não votava, depois votava em quem desse mais e agora me embananou toda.

ZAZÁ: O problema, dona Virgulina é saber quem desses que estão candidatos é os menos safados.

VIRGÔ: Cá pra nós, dona Raimunda; esse também é o meu grande dilema. Em quem eu devo votar!

ATOR 2: Em quem lhe der um saco de cimento!

ATOR 1: Um sacolão!

ATOR 2: Uma prótese dentaria!

ATOR 1: Um vale gás!

ATOR 2: Vote em quem lhe der alguma coisa!

ATOR 1: Ou então, não vote, não!

VIRGÔ: Com toda essa confusão, é melhor e me despedindo e um axé bem lua nova eu vou deixar. Virgulina Bocavite diretamente desse lugar para a sua consciência que eu espero que não esteja a descansar.

ZAZÁ: Antes que a senhora, dona Virgulina vá embora, preciso lhe dar essa informação e é bom que esse povão veja que a duvida não é só minha não. Mesmo aqueles beneficiados, com terrenos, com construção e até mesmo os que ganham viagens de carro, trem ou avião, nem esses sabem se o candidato do seu político elegerá.

TICA: será, Zazá?

ZAZÁ: Acorda, Tica!

ATOR 2: Até o público estão em duvida se nessa eleição votarão!

ATOR 1: Ah! Mas só vou votar com ele porque é meu primo, se não fosse...

ATOR 2: Graças a deus e segundo fulaninho, que a minha mãe ta viva. Esse é um favor que nem ralado eu pago. Por isso que eu vou votar nele.

ATOR 1: A minha vizinha é tudo pra mim, uma mãe. Ela me pediu pra votar num homem que eu nem sei quem é só porque ele arranjou um emprego pra filha dela na prefeitura e eu vou votar.

VIRGÔ: Se é assim, o meu voto já sei a quem dar.

TICA: E se você um emprego de ASG numa escola me arranjar, ficarei muito agradecida.

ZAZÁ: Até tu Tica!

ATOR 2: O voto é que decide quem vai nos representar, desde a nossa rua através de um vereador ao nosso país, através do presidente.

ATOR 1: Precisamos saber escolher, precisamos muito pensar!

ZAZÁ: E se não tiver um que preste? Se for farinha do mesmo saco?

TICA: E se os que se candidatarem forem todos corruptos, ladrões?

TODOS: O que faremos?!

ZAZÁ: Em toda a minha vida de putada, nunca, nenhum prestou! Saíram ricos e lá o rombo deixou e aquele direito, honesto que entrar, coitado, só vai limpar aquilo que os outros gozaram.

TICA: E esse direito, será que o tempo o corrompe?

TODOS: Será?!

ZAZÁ: garanto que mesmo que mostre trabalho, mas o dele ele vai levar.

TICA: faz uma obra e come quatro. Centa um paralelepípedo no chão e cinqüenta no bolsão.

ZAZÁ: Ta! Conheço um que saiu pobre como entrou.

TODOS: Um santo! Milagre!

ZAZÁ: Mas a família dele saiu toda rica.

TODOS: Ah!

ATOR 2: Enquanto o dia “D” não chegar, vamos observar os erros desses que estão aí!

TODOS: No poder!

ATOR 1: se prestam ou não, somos nós que temos que acertar.

TODOS: Basta! Nós temos que acertar

TICA: Pelo menos dessa vez!

ZAZÁ: Vamos parar a conversa e esse local vamos animar, afinal, vocês ainda estão no bordel da Madame Zazá!

VIRGÔ: E a inclusão social?

ZAZÁ: deixa pra depois dessa campanha!

TICA: Zazá!

ZAZÁ: Ah! Deixa pra lá! Tudo é festa, vamos brincar! Pra que falar de voto agora, se isso nunca vai mudar?

TODOS: Será?

ZAZÁ: Um dia a porca torce o rabo!

TODOS: Pra que votar meu bem?!





JUSCIO

MACAIBA (RN), 10 DE MARÇO DE 1987.